CANCIÓN POR LA UNIDADE DE LATINO AMÉRICA. PABLO MILANÊS E CHICO BUARQUE

E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória

A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue

É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos


sábado, 10 de setembro de 2011

Egito

Teólogo e arqueólogo Rodrigo Silva fala sobre o Egito

domingo, 7 de agosto de 2011

O povoamento da América e suas teorias



Murilo Benevides de Oliveira
Faculdade Tecnologia e Ciências EaD


Sabe-se que o hominídeo surgiu no continente africano a cerca de mais de um milhão de anos, e só após a evolução da espécie migraram para outras partes do planeta. No continente americano, várias teorias apontaram para a chegada do homo sapiens através do Estreito de Bering, ao norte do continente, entretanto, devido ao avanço da tecnologia, a intensidade dos estudos arqueológicos e a descoberta de objetos mais antigos encontrados ao sul, surgiram novas teorias para explicar o povoamento das Américas.

As novas teorias não negam a utilização do Estreito de Bering para o povoamento da América e sim apontam novas possibilidades de rotas para a chegada do hominídeo ao continente. Para alguns cientistas como é o caso de Maria Beltrão e Niède Guidon, há uma possibilidade de ligação entre a África do Sul e a América do Sul provocada por uma glaciação que produziu ilhas entre a África e o Brasil. Para o antropólogo francês Paul Rivet, o povoamento da America aconteceu em dois períodos, primeiro vindos da Austrália antes de Beringia e um pouco mais tarde vindos da Melanésia.

Entretanto, para alguns cientistas, a possibilidade do domínio da navegação feita pelos hominídeos é praticamente nula, fato que impossibilita a rota transatlântica. Outra tese que vai de encontro com as novas teorias é o modelo “Clovis-first” elaborada pelos nortes-americanos e, em razão do peso intelectual dos Estados Unidos na produção científica mundial, ele tem sido imposta de forma unilateral por cientistas da América do Norte para todo o continente.

O fato é que a cada ano que passa é feitas novas descobertas, e novas tese são elaboradas cada vez com mais precisão, entretanto, as interferências políticas-ideológicas que acabam protelando o progresso das pesquisas ainda são uma realidade no meio científico.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O QUE É ESTUDAR HISTÓRIA?

Perguntas espontâneas que surgem tanto para quem se interessa pelo curso de História quanto para os que desejam saber as razões que levam alguém a estudar História.
Estudar História não é um privilégio universitário. Mas é na universidade que esse estudo ganha sua forma organizada, sistemática. Estudar História é descobrir e apropriar-se do resultado da ação dos homens no tempo, que se transforma em realidade concreta individual e social.     

Essa realidade, para a História, forma o passado. Esse passado é experimentado – no presente – como algo a ser conhecido, entendido, explicado. Por quê? Para alcançar-se uma compreensão adequada do presente. Para quê? Para entender o conjunto da realidade social humana e projetar a ação presente e futura.
Todo ser humano, de uma forma ou de outra, lida com o passado para situar-se em seu espaço de identidade e no mundo em que vive. O estudante que deseja obter um diploma universitário de História objetiva alcançar uma capacitação profissional que o habilita a investigar o passado de acordo com procedimentos metódicos, com o fito de elaborar narrativa que apreenda, descreva e explique – cientificamente – o passado que é patrimônio comum dele, de sua comunidade e da humanidade. 

O estudante interessado em torna-se um historiador deve estar consciente de que a História é um dos mais antigos saberes constituídos pela civilização. Com a Filosofia e a Literatura (poesia e teatro) a História está presente desde os primeiros momentos da nossa tradição ocidental. O esforço sistemático de compreensão racional do passado, resultando em uma obra escrita, remonta ao grego Heródoto, no século V a.C. No século XIX, com o desenvolvimento de vários instrumentos de pesquisa e de análise do documento, a História ganhou assumiu sua pretensão metódica de cientificidade.

Ao buscar estabelecer os fatores explicativos confiáveis da ação humana no passado, a História ganhou reconhecimento entre as chamadas Ciências Humanas e Sociais. Hoje em dia, a construção do saber histórico tem consciência das variáveis de sua produção, de que dependem a verdade e a objetividade sociais a que se candidata. Assim, os historiadores hoje dedicam-se também às formas de apresentar o resultado de suas pesquisas não só na historiografia, isto é, nas narrativas historiográficas, mas igualmente no ensino e na formação dos novos historiadores. 
A História, por ser científica, dialoga com os demais campos do saber, como a Literatura, a Filosofia, a Política, a Antropologia, a Sociologia, o Direito, a Economia, pois o produto final do trabalho do historiador é um texto científico de múltiplas facetas, uma composição literária, em estilo que permita ser lido com prazer.
Os futuros historiadores, portanto, devem buscar não só a competência em lidar com as fontes documentais e de outra natureza (visuais, plásticas, arquitetônicas, etc.), com a bibliografia acumulada ao longo das tradições e presente nas bibliotecas e arquivos, mas igualmente desenvolver a habilidade narrativa, com o ofício do escritor.
Em particular desde o século XIX, a História desempenha um papel relevante na construção da identidade de várias nações. Assim como cada indivíduo tem uma memória pessoal, cada sociedade constrói uma memória coletiva, cada Estado promove uma “marca” própria.

Certamente, os historiadores estão entre os principais artífices da memória coletiva, responsáveis não só pela constituição de um passado coletivo, nacional, como pela vigilância dos usos e abusos que deste passado possam vir a ser feitos.
Há quem diga que, em função da contemporânea globalização, as histórias nacionais estão em baixa. Não é verdade. Hoje, ao mesmo tempo em que se assiste à mundialização econômica e cultural, verifica-se o recrudescimento das identidades, étnicas, religiosas e também nacionais.
A História, contudo, tem dentro de si várias Histórias. Ela é plural tanto pela diversidade das perspectivas, a partir das quais é produzida, quanto pela riqueza dos temas que aborda. A História pode ser política, econômica, religiosa, das idéias, das mentalidades, dos costumes, da cultura, do cotidiano, das relações internacionais, das regiões, dos municípios, do mundo, antiga, medieval, moderna, contemporânea.

Ela pode ser recortada em diversos ângulos e em diversos períodos. Sem embargo, em todas permanece a matéria-prima básica do historiador: o tempo e a ação humana nele. Os ritmos das ações humanas no tempo não são uniformes. Há um tempo longo, sedimentado, cuja transformação é lenta, como o da geografia ou das mentalidades. Pode-se falar também de tempos intermediários, como os dos ciclos econômicos, dos regimes políticos, das organizações sociais. 

Não se pode esquecer do tempo volátil, curto, o do quotidiano imediato, dos jornais, dos acontecimentos políticos. O historiador, no fundo, é um tecelão de temporalidades. O tecido final: a História, sobre cuja trama temporal se destaca o bordado no agir humano pensado e narrado pelo historiador.

O profissional com formação em História encontra-se tradicionalmente ligado à área do magistério, podendo exercer essa atividade nas escolas de ensino fundamental e médio, no caso de ter alcançado a licenciatura na graduação, ou nos estabelecimentos de ensino superior, quando portador de diploma de pós-graduação. A experiência de pesquisa e a aptidão de realizá-la com qualidade e autonomia são requisitos para a atividade acadêmica em estabelecimentos de ensino superior.
“... Ensinar História é ensinar a fazer História. É impossível ensinar História sem o domínio suficiente de como se dá a produção histórica. Ensinar não se perfaz com transmitir conhecimentos, muito menos informação.      

Nem é o professor mero revendedor de mercadoria disponível no estoque do curso, ou simples executante de um programa de distribuição (facilitada por técnicas didáticas) de noções consolidadas pelo uso. Ao contrário, a reconstrução do próprio processo de pesquisa deve participar, de uma forma ou outra, do processo pedagógico. 
Já se vê que esta perspectiva permite resolver também a falsa dicotomia de objetivos de um curso de História, indeciso entre a formação do pesquisador e do professor: as diferenças existem, é clero, mas são de grau, contexto e organização prática do trabalho, não de natureza.”
Nos últimos tempos, entretanto, os historiadores têm encontrado formas novas de exercer suas competências. Além do ensino e da pesquisa universitária, importantes campos de atuação para o historiador são aqueles ligados aos mais variados tipos de informação: arquivos, museus, bibliotecas, administração pública, perícia técnica (demarcação de quilombos e áreas indígenas, por exemplo) etc.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Corpus Christi: por que se celebra?

A solenidade de Corpus Christi iniciou-se no século XIII. A Igreja percebeu que era fundamental reafirmar a presença real de Cristo, no pão consagrado.  Essa necessidade se aliava ao desejo do homem (e da mulher) medieval de contemplar as liturgias.  Tanto que é dessa época o costume de elevar a hóstia e o cálice de vinho, depois da consagração, para satisfazer a curiosidade daqueles que iam à igreja mais para ‘ver’ o Corpo e o Sangue de Cristo, do que para participar efetivamente da Eucaristia.
Por isso, a Igreja Católica celebra, em todo o mundo, na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes, a festa do Corpo e Sangue de Deus, popularmente chamada de Corpus Christi.
Foi instituída pelo Papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264, para ser celebrada pelos cristãos. 'Esse é o momento de rememorarmos a herança mais preciosa deixada por Cristo, o sacramento da sua própria presença', explica o liturgista, Marcelo Lopes.
Essa herança compreende a missa (obrigatória) e as procissões.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Egito - Livro dos Mortos - Enterro de Nany (NAH-nee)



Murilo Benevides de Oliveira
Faculdade Tecnologia e Ciências EaD


Julgamento de Nany (NAH-nee)
Arqueólogos encontraram esse papiro no enterro de Nany (NAH-nee), uma mulher na casa dos setenta. Ela era uma chantress (cantor ritual) do deus Amon-Rá e é referido como "filha do rei" (provavelmente significa que ela era filha do sumo sacerdote de Amon e rei titular, Pinodjem I). Como era costume durante o Terceiro Período Intermediário, seu caixão e caixas de shawabtis (números de trabalhadores substitutos para a vida após a morte) foram acompanhados por uma figura Osiris oco de madeira, que continha rolos de papiros inscrito com uma coleção de textos que os egiptólogos chamam de Livro de Mortos. O nome antigo era o Livro de Coming Forth by Day. É mais do que 17 pés de comprimento quando desenrolado. As inscrições hieroglíficas foram escritos por um escriba, e as ilustrações foram desenhadas e pintadas por um artista.

A cena descrita aqui mostra o clímax da viagem para o além. Nany está no Hall do Julgamento. Segurando sua boca e os olhos na mão, ela fica à esquerda da grande escala. O coração dela está sendo pesado contra Maat, a deusa da justiça e da verdade, que é representada como uma figura minúscula vestindo seu símbolo, uma pena única de grande porte, em sua cabeça. À direita, Osíris, deus do submundo e do renascimento, preside a cena. Ele é identificado por sua coroa de altura com um botão na parte superior, por sua barba longa e curva, o cajado, e por seu corpo, que parece estar envolto como uma múmia, exceto para as mãos. Às suas costas está pendurada uma menat como contrapeso para o colarinho. Em frente a ele é uma oferta de um conjunto de carne bovina. Cabeça de chacal Anúbis, superintendente de mumificação, ajusta as escalas, enquanto um babuíno - simbolizando Thoth, o deus da sabedoria e da escrita - senta-se na trave de equilíbrio e se prepara para escrever o resultado para baixo . Atrás de Nany está a deusa Ísis, a esposa e irmã de Osíris. Ela é identificada pelo hieróglifo acima de sua cabeça.

Nany tem sido questionada pelo tribunal de 42 deuses sobre seu comportamento na vida. Ela teve de responder negativamente a cada pergunta feita neste exame, muitas vezes chamado a confissão negativa. Exemplos de suas negativas são: Não tenho feito nada de errado. . . . Eu não matei pessoas. . . . Eu não contei mentiras. . . . Eu não fiz o que detesta os deuses. . . . Eu não fiz ninguém sofrer. . . . Eu não fiz declarações falsas no lugar da verdade. Nany nesta cena foi encontradas verdadeiras e, portanto, digno de entrar na vida após a morte. Seu coração não é mais pesado do que a imagem da deusa da Verdade. Anubis diz a Osíris, "Seu coração é um testemunho preciso", e Osiris responde: "Dê-lhe os olhos e sua boca, já que seu coração é um testemunho preciso."

No registro horizontal acima da cena do julgamento, Nany aparece em três episódios: a paleta de adoração divina com a qual tudo é escrito, louvando a uma estátua de Horus e de pé por seu próprio túmulo.
Nany tinha um rolo de papiro com textos segundo o direito que está no Underworld (Amduat) envolto em sua múmia na área em seus joelhos. 

Livro dos Mortos (cujo nome original, em egípcio antigo, era Livro de Sair Para a Luz) é a designação dada a uma coletânea de feitiços, fórmulas mágicas, orações, hinos e litanias do Antigo Egito, escritos em rolos de papiro e colocados nos túmulos junto das múmias. O objetivo destes textos era ajudar o morto em sua viagem para o outro mundo, afastando eventuais perigos que este poderia encontrar na viagem para o Além.

A idéia central do Livro dos Mortos é o respeito à verdade e à justiça, mostrando o elevado ideal da sociedade egípcia. Era crença geral que diante da deusa Maat de nada valeriam as riquezas, nem a posição social do falecido, mas que apenas os atos seriam levados em conta. Foi justamente no Egito que esse enfoque de que a sorte dos mortos dependia do valor da conduta moral enquanto vivo ocorreu pela primeira vez na história da humanidade. Mil anos mais tarde, — diz Kurt Lange — essa idéia altamente moral não se espalhara ainda por nenhum dos povos civilizados que conhecemos. Em Babilônia, como entre os hebreus, os bons e os maus eram vítimas no além, e sem discernimento, das mesmas vicissitudes.
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