CANCIÓN POR LA UNIDADE DE LATINO AMÉRICA. PABLO MILANÊS E CHICO BUARQUE

E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória

A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue

É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos


quarta-feira, 15 de junho de 2011

5.400 anos de história da humanidade

A linha do tempo traz os principais fatos e personagens da história da humanidade desde a invenção da escrita (aproximadamente 3400 a.C.) até os dias de hoje.
Para pesquisar um período histórico, basta escolher a época desejada na barra horizontal -dividida por séculos. Ao rolar a linha do tempo para baixo, os anos correm para o futuro. Rolando para cima, a linha retrocede no tempo.
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até século 6º século 6º até 16 século 16 até 18 século 18 século 19 século 20




Até o século 6º (a.C.)

Primeiro sistema escrito, pelos sumérios, no sul da Mesopotâmia (região entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio) (cultura)
3400(c)
2700(c)
Início da construção de pirâmides no Egito (tecnologia) Leia mais
Comércio marítimo entre Egito e Biblos (atual Líbano) (navegação).
Surgimento das primeiras cidades na China (tecnologia)
2500(c)

2300(c)
Império Acádio unifica cidades-estado da Mesopotâmia (política) Leia mais
Expansão do Império Egípcio até o Oriente Médio (guerra).
Início do uso de metal e cobre no Peru (tecnologia)
População mundial estimada em 28 milhões (demografia)
1500(c)
1200(c)
Decadência do império egípcio (povos)
Surgimento da civilização olmeca no México (povos)
Fenícios desenvolvem o comércio marítimo, no Mediterrâneo oriental (navegação)
David torna-se rei de Israel, com Jerusalém como capital (religião) Leia mais
População mundial estimada em 70 milhões (demografia)
1000
930
Primeiros textos hebraicos (salmos, eclesiastes) (religião)
Primeira versão do épico hindu Mahabharata (literatura)
Surgimento dos poemas épicos Ilíada e Odisséia, atribuídas a Homero (literatura) Leia mais
850(c)
814
Data legendária da fundação da cidade de Cartago pelos fenícios (colonização)
Primeiros jogos olímpicos (costumes) Leia mais
776
753
Legendária fundação de Roma (povos) Leia mais
Sólon começa as reformas da lei ateniense (política) Leia mais
594
586
Chaldean Nebuchadnezzar (Nabucodonosor 2°) invade Jerusalém; israelitas são levados para o cativeiro da Babilônia (guerra)
Gregos colonizam a Espanha (colonização)
Israelitas retornam do cativeiro da Babilônia (povos)
539
509
Proclamação da República Romana (política) Leia mais
Império persa atinge a Índia (guerra)
Pregação de Sidarta Gautama (Buda) (religião) Leia mais
Clístenes proclama a constituição democrática ateninense (política) Leia mais
508
499
Heráclito dá início à filosofia grega (filosofia)
Pensamento de Confúcio começa a se propagar na China (filosofia) Leia mais
490(c)
472
Atenas lidera a Liga de
Delos (povos) Leia mais
Roma se expande pelo Lácio e ameaça os etruscos (guerra)
Império persa em declínio (povos)
450
443
Péricles passa a governar Atenas (política)
Heródoto escreve História (cultura) Leia mais
Invenção do calendário solar na China (tecnologia)
Início da Guerra do Peloponeso (Atenas vs. Esparta) (guerra) Leia mais
Demócrito cria a teoria atômica (ciência)
431
405
Fim da Guerra do Peloponeso, com a vitória de Esparta (guerra)
Sócrates é condenado à morte, em Atenas
(filosofia) Leia mais
399
371
Tebas derrota Esparta e domina a Grécia (guerra)
Roma domina o Lácio, construindo estradas e aquedutos (povos)
Hipócrates desenvolve a medicina (ciência)
Início do reinado de Alexandre, o Grande (Macedônia) (política) Leia mais
336
334
Alexandre torna-se senhor do império persa; seus domínios se estendem até a Índia (guerra)
Morte de Alexandre e desintegração do seu império (povos)
323
284
Inauguração da Biblioteca de Alexandria (norte do Egito), com 100 mil volumes (cultura)
Invenção da catapulta como arma de guerra (tecnologia).
Surgimento da cultura maia na Guatemala. (povos) Leia mais
280
264
Início das Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago (guerra)
Começa a construção da Grande Muralha da China (tecnologia)
210(c)
146
Fim das Guerras Púnicas e consolidação de Roma sobre o Mediterrâneo ocidental (guerra)
Budismo se espalha pelo sudeste asiático (religião)
Caio e Tibério Graco iniciam reformas em Roma
(política) Leia mais
133
73
Spartacus lidera revolta de escravos contra Roma (conflito)
Liderados por Pompeu, romanos dominam a Síria e a Palestina (guerra)
63
45
César torna-se ditador romano (política) Leia mais
César é assassinado (política)
44
31
Antônio e Cleópatra se suicidam (política) Leia mais
Otaviano torna-se o único governador de Roma (política)
Otaviano aceita o título de Augusto, marcando o início do Império Romano (política) Leia mais
27
19
Romanos conquistam a Península Ibérica e criam três províncias, entre elas a Lusitânia, atual Portugal (colonização)
Nasce Jesus de Nazaré (religião) Leia mais
6


Até o século 6º (d.C.)

1
Começa a era depois de Cristo, exatamente à meia-noite de 31 de dezembro de 1 a.C. População mundial chega a aproximadamente 170 milhões (demografia).
Morte de Augusto (política).
Tibério torna-se imperador, ficando no poder até 37 (política)
Ovídio escreve Metamorfose (literatura)
14
27
Jesus é batizado (religião)
Jesus é crucificado (religião)
30
37
Calígula torna-se imperador (política) Leia mais
Império Romano sob Nero (política) Leia mais
54
64
Cristãos são acusados e martirizados pelo incêndio de Roma (religião)
Início da diáspora judaica após destruição do templo em Jerusalém (religião) Leia mais
Surge o primeiro evangelho
(S. Mateus) (religião) Leia mais
70
75
Começa a construção do coliseu romano (tecnologia)
Provável data da invenção, na China, do papel (tecnologia)
Erupção do vulcão Vesúvio destrói a cidade de Pompéia, na Itália (desastres naturais)
79
98
Auge da expansão territorial romana. (guerra)
Cristianismo também se espalha (religião)
População mundial: 180 milhões (demografia)
100
132
Surgimento da cultura Teotihuacán, no México (povos) Leia mais
População mundial: 190 milhões (demografia)
200

212
Cidadania é estendida a todos os homens livres do Império Romano (política)
Começo do declínio do Imperio Romano (política)
235


284
Princípio da civilização maia clássica (povos)
População mundial em torno de 190 milhões (demografia)
300


306
Constantino torna-se imperador (política) Leia mais
Edito de Milão legaliza o Cristianismo no Império Romano (religião)
313


320
Início do império Gupta na Índia (política) Leia mais
Bizâncio é reconstruída por Constantino (tecnologia)
324


326
Constantino declara domingo como dia sagrado para os católicos (religião)
Renomeado de Constantinopla, Bizâncio torna-se capital do Império Romano (política)
330

378
Visigodos derrotam o exército romano (guerra)
Teodósio 1° proibe cultos pagães (religião)
391
395
O Império Romano é dividido em dois, Ocidental e Oriental (política) Leia mais
Agostinho publica Confissões (filosofia)
População mundial continua estável, em torno de 190 milhões (demografia)
400(c)
410
Visigodos saqueiam Roma (guerra)
Átila torna-se o rei dos Hunos (política) Leia mais
434
476
Deposição de Rômulo marca o fim do Império Romano (política) Leia mais
Começa a Idade Média
Clóvis, rei dos francos, dá inicio ao reino Merovíngio (política) Leia mais
496
500(c)
Os bretões, sob a liderança do legendário rei Artur, derrotam os saxões, retardando o avanço destes sobre a Bretanha (política)
População mundial em torno de 195 milhões (demografia
)



Fontes: Dicionário Ilustrado Folha, Oxford Encyclopedia of World History,
The Timetables of History (Bernard Grun), http://www.hyperhistory.co

Juventude hitlerista à brasileira

Na Alemanha, Hitler sonhava com jovens que iriam construir o novo mundo nazista. No Brasil de Vargas, crianças cantavam hinos, em boa parte das vezes sem entender seu significado político.
por Ana Maria Dietrich
Arquivo do Estado de São Paulo
Em Presidente Bernardes, cidade do interior de São Paulo, crianças da Juventude Hitlerista fazem a saudação Heil Hitler, na década de 1930
É por meio da juventude que começarei minha grande obra educacional. Nós, os velhos, estamos gastos. Não temos mais instintos selvagens. Mas minha esplêndida juventude! Nós temos uma das mais belas do mundo. Com eles, poderei construir um mundo novo! Adolf Hitler

Em diversos momentos, Adolf Hitler se voltou às crianças e jovens alemães. Ele acreditava que representariam o futuro da raça ariana, porque os adultos já estariam "velhos" e "gastos". Para cooptar os jovens a se tornarem "bons nazistas", o estadista, que permaneceu no poder na Alemanha entre 1933 e 1945, não poupou esforços. O primeiro passo foi a padronização do ensino secundário e a introdução de novas disciplinas de eugenia e ciência racial. Ao estudá-las, as crianças aprendiam, entre outras coisas, que não poderiam se miscigenar com os considerados "não arianos".

Práticas como atividades físicas - que chegaram a ocupar cinco horas do dia dos estudantes em 1938 - foram introduzidas, contrastando com o desprezo pelas atividades intelectuais e a queima de livros considerados prejudiciais ao regime. Fotos de Hitler estavam nas escolas e os professores entravam na sala cumprimentando os alunos com a saudação Heil Hitler.

Além das escolas, Hitler criou, em 1926, uma organização voltada para jovens e crianças, meninos e meninas. Funcionando como braço do partido nazista, a Hitler Jugend (Juventude Hitlerista), cujas atividades iam desde acampamentos com fogueiras e entoação de hinos até treinamento militar, chegou a ter, no seu apogeu, 8 milhões de membros. As meninas se alistavam na BDM (Bund Deutscher Mädel - Liga das Jovens Alemãs) e aprendiam seus deveres de futuras "mães e mulheres arianas" em tardes domésticas, de eventos esportivos e de patriotismo.
Bundesarchiv/Alemanha
Rapaz da juventude hitlerista da Alemanha cuida de bebês
A americana Susan Campbell Bartoletti contou a história desses pequenos soldados de Hitler no livro Juventude Hitlerista, a história dos meninos e meninas nazistas e dos que resistiram, recém-lançado no Brasil pela Relume Dumará. Segundo Campbell, essa organização foi estruturada de maneira a funcionar como um exército. Havia regimentos e uma hierarquia: o garoto que ingressasse como recruta poderia chegar a liderar um esquadrão, um batalhão e até um regimento. A disciplina era rígida e quem a desobedecesse recebia castigos, como caminhar por horas em rios gelados. Para poder vestir o uniforme marrom da Hitler-Jugend (HJ), porém, os ingressantes deveriam, em primeiro lugar, provar que eram descendentes de "arianos", que estavam saudáveis e não tinham doenças hereditárias. As crianças judias foram impedidas de entrar e o mesmo acontecia quando os pais da criança não eram considerados "bons nazistas". Campbell afirmou que, "não querendo ser excluídas, as crianças imploravam para os pais entrarem no partido nazista". Os jovens que se negavam a participar tornavam-se marginais e dessa forma ficavam impedidos de entrar nas escolas e conseguir emprego.

Muitos jovens chegaram a perder a vida em nome da organização. No início do governo nazista, as brigas de rua com os comunistas eram freqüentes. Em uma delas, Herbert Norkus, jovem alemão de 15 anos participante da HJ, morreu e se tornou mártir do regime. Já durante a Segunda Guerra Mundial muitos deles foram lutar nas frentes de combate alemãs. Eram convocados como ajudantes de artilharia ou como cavadores de trincheiras. "Os meninos trabalhavam dez horas por dia, sete dias por semana. Cavavam até as mãos ficarem calejadas (...)", contou Alfons Heck, ex-integrante da Juventude, um dos entrevistados por Campbell.

Próximo do final da guerra, foi criada uma unidade especial - denominada HJ-SS, cujos participantes receberam treinamento especial para participar do conflito. Tal unidade, apelidada pelos Aliados Divisão Leite de Bebê, lutou nos campos da Normandia em 1944. Em combate, morreram 1.951 soldados, entre meninos e jovens, e 4.312 ficaram feridos.

Minha pesquisa de doutorado aborda a Juventude Hitlerista estabelecida no Brasil. Esse movimento era ligado ao partido nazista no Brasil, que por sua vez era um braço do movimento nazista internacional da Organização do Partido Nazista no Exterior conhecida pela sigla A.O., do seu nome em alemão, espécie de departamento do III Reich. Essa organização estendeu-se pelos cinco continentes, em 83 países, com cerca de 29 mil componentes. Nesses territórios, os nazistas criaram seus grupos, articularam suas bases e estruturaram suas organizações, entre elas a da Juventude. O Brasil foi o país que contou com o maior número de filiados do partido nazista fora da Alemanha - com 2.900 membros espalhados entre 17 estados brasileiros.

Entre eles, o maior grupo foi o de São Paulo, com 785 membros, seguido por Santa Catarina, com 528, e Rio de Janeiro, com 447.
Acervo A.M Dietrich
Adepto do nazismo, com os netos. Presidente Bernardes, década de 1930
Nazismo tropical
Como organização ligada diretamente a esse partido, a HJ no Brasil teve a adesão de 550 meninos e meninas alemãs e descendentes, que foram seduzidos pelo discurso do regime nazista. Apesar de ter como parâmetro o movimento alemão, o nazismo avançou no Brasil de forma diferenciada. Participantes da comunidade alemã - que somava 230 mil pessoas, entre alemães de nascimento e descendentes -, os meninos e meninas não conheceram a atmosfera de terror vivenciada por seus conterrâneos na Alemanha - definida, em um primeiro momento, pela luta contra os comunistas e, em um segundo, pela deflagração da Segunda Guerra Mundial. Nesse processo de transferência, foi como se a ideologia nazista passasse a se vestir com as cores da sociedade brasileira.

Aqui os preceitos nazistas eram passados às crianças e jovens por meio da família e, principalmente, pela educação nas escolas. Estima-se que na década de 30 existiam cerca de 1.260 escolas alemãs no país, com mais de 50 mil alunos. Todas elas contavam com subsídio do governo alemão e algumas haviam sido fundadas ainda no século XIX. Desde a ascensão de Hitler ao poder, as escolas passaram a ser vistas como importantes centros de difusão dos ideais nacional-socialistas.

Até o começo do Estado Novo (1937-1945), tais escolas funcionaram normalmente, sem preocupar o governo, já que ajudavam na educação dos jovens, desonerando as escolas públicas. Porém, a partir de 1938, com a campanha desencadeada por Vargas, que obrigou todas as instituições estrangeiras a se nacionalizar, as escolas alemãs passaram a ser vigiadas. O governo estabeleceu a nacionalização integral do ensino primário. Novas leis do período de 1938 a 1942 restringiram cada vez mais a difusão de valores de outras culturas em território nacional.

O partido nazista e as instituições ligadas a ele entraram então para a ilegalidade. Até essa época, o governo tinha feito vistas grossas à atuação do partido, dadas as boas relações comerciais entre o Brasil e a Alemanha e a simpatia do ditador brasileiro pelo regime de Hitler. Os partidários do nazismo e os alemães em geral foram perseguidos somente depois de 1942, quando da entrada do Brasil na guerra, ao lado dos Aliados. A questão estava centrada no combate à cultura germânica - elemento de erosão da nacionalidade brasileira em construção - e não ao nazismo - enquanto "ideologia exótica", como a chamava o Dops - Delegacia de Ordem Política e Social.

No caso da cidade de São Paulo, vários foram os colégios enquadrados como foco de disseminação de idéias consideradas nocivas à nação brasileira, entre elas a nazista, no final dos anos 30. Em instituições como a Deutsche Schule, mais conhecida como Escola Alemã de Vila Mariana, uma das mais vigiadas pelo Deops - Departamento Especializado de Ordem Política e Social, de São Paulo, boa parte dos educadores era ligada à Associação dos Professores Nazistas, com 100 filiados no Brasil, e alguns vinham direto do III Reich para doutrinar a juventude local.
Nessa escola não era raro os professores alemães ministrarem aulas usando o uniforme cáqui com a suástica atada ao braço. No início do dia letivo, era comum os alunos se cumprimentarem com a saudação Heil Hitler, como era usual na Alemanha. As disciplinas eram ensinadas em língua alemã e o português era apenas mais uma aula na grade curricular. A acusação mais constante por parte da polícia política era que as famílias e a escola não imbuíam as crianças de familiaridade com a cultura brasileira, mas sim incentivavam o germanismo atrelado à doutrina nazista. Grande parte dos alunos era agremiada na Juventude Hitlerista instalada no Brasil, que cantava os mesmos hinos e propunha as mesmas atividades da similar alemã.

O livreto oficial da Deutsche Schule continha fotografias de alunos e de interiores da escola, além de referências ao uso de material didático e, em especial, aos filmes sobre a Alemanha. Parte desse material era importado de lá e tinha como principal objetivo manter viva a relação dos pequenos alemães e descendentes com a cultura germânica. O livro de canções alemãs apropriadas pelo nazismo, chamado Liederbuch, dava o tom do nacionalismo alemão que se cultivava.

O mapeamento feito pelo Deops constatou que havia 14 escolas alemãs na capital e no ABC paulista. Depois da nacionalização de 1938, foram fechadas ou enquadradas na lei. A Escola Alemã de Vila Mariana passou a chamar-se Ginásio Benjamin Constant e teve seus professores alemães substituídos por brasileiros.

O que foi transmitido a essas crianças limitou-se ao aparato de sedução do regime - símbolos, canções, livros. Em grandes festas, eles desfilavam portando bandeiras com a suástica e cantando hinos nazistas, participavam de excursões e acampamentos, mas conviviam normalmente com crianças tachadas como "inferiores" pela ideologia nacional-socialista.

Do lado dos brasileiros, a raça ariana foi até motivo de zombaria. Em um samba de 1943, Carlos Cachaça cantou, fazendo referência ao nazismo: "Saibam que este céu, este mar, este lindo cenário, temos a defendê-lo os nossos expedicionários, oriundos da raça de Caxias, de Barroso. Diante desta gente tão pura e tão forte, nazista, quem és?".
Acervo A. M Dietrich
Grupo nazista da cidade de Presidente Bernardes posa em uma plantação
A Juventude Hitlerista de Presidente Bernardes, pequena cidade do noroeste do estado de São Paulo, é um exemplo da forma como essas idéias nazistas foram transferidas para o Brasil. Nos anos 30 e 40, o local era um pólo de chegada de imigrantes de toda a Europa. Muitos desses imigrantes vinham, desde o porto de Santos, em carros puxados por bois e carregados com produtos tropicais. O destino? Fazendas, sítios e chácaras. Construíam suas casas, muitas vezes de barro e sapé, e plantavam o que comer: arroz, feijão e milho. Um modo de vida muito diverso do que estavam acostumados na Europa. Entre essas famílias, encontravam-se os imigrantes alemães que aderiram ao nazismo, como a família de K.B. (os nomes são aqui mantidos em sigilo para preservar os depoentes). Em entrevista, ela contou a saga da família desde a saída da Alemanha em crise da República de Weimar (1919-1933) até o envolvimento com o nazismo.
Arquivo do Estado de São Paulo
Grupo de nazistas fardados em sítio no interior de São Paulo. As marcações à caneta feitas pela polícia política buscavam identificar os indivíduos
Álbuns de família
K. B. foi membro da Juventude Alemã de Presidente Bernardes. Seu pai, G.B., era dirigente do partido nazista em São Paulo. No acervo do Deops, encontram-se muitas fotos apreendidas de álbuns de família como a de K.B., onde se vêem grupos de nazistas em meio a palmeirais e parreiras. Porém ao ouvir essas histórias, tem-se uma nova dimensão de como foram difundidas as idéias nazistas aqui. Elementos como o anti-semitismo ou racismo corrente na Alemanha não aparecem no discurso de K.B. Ao contrário, o que há é algo mais romantizado, com colonos comemorando festividades do calendário alemão e cantando hinos usuais no III Reich."Por que não gostar de judeus? Eu não conheço nenhum. (...) Eu era criança naquela época e não tinha condições de entender nada. Eu só comecei a entender mais tarde, quando li sobre o assunto. Mas não acreditava, porque meu avô era um santo homem", afirmou K.B.

K.B. se referiu ao seu avô F.D. como "um nazista fanático que amava sua família". Costumava acordar todos os dias de manhã bem cedo e ensinava-as a fazer ginástica, a marchar e a cantar hinos nazistas. O que para K.B. era algo ingênuo e saudável na verdade fazia parte do preceito nazista de culto ao corpo. Os membros da Juventude Hitlerista na Alemanha costumavam fazer esporte todos os dias e participar de treinamentos militares.

Ao descrever esses costumes, K.B. fez questão de enfatizar o lado bondoso do avô: "Ele fazia brinquedos para a gente. Nos dias de festas alemãs, por exemplo Festa da Colheita, costumávamos cantar e marchar atrás dele. Lembro até hoje [cantando em alemão o hino de Horst Wessel]: \\'Levanta a bandeira, as fileiras bem unidas e marcha com passos calmos e firmes\\'. Só lembro de um momento em que ele ficou meio espinhento, foi quando a Inglaterra entrou na guerra...".

Este trecho da entrevista demonstrou que essas crianças repetiam meramente idéias ensinadas pelos adultos, sem ter noção do conteúdo ideológico das canções. Além dos depoimentos, as fotos são importantes testemunhos. Mostram, por exemplo, como os nazistas no Brasil se vestiam, utilizando as mesmas insígnias e simbologia que os nazistas na Alemanha.E.G., outra entrevistada de Bernandes, lembrou-se da mudança de tratamento em relação aos alemães a partir de 1942: "Enquanto nós estávamos aqui com Getúlio do lado do Eixo não teve problemas. Depois, quando Getúlio resolveu passar para o outro lado - por bons motivos - começaram a perseguir alemães, japoneses, todo mundo. Mas os partidários continuaram fazendo as mesmas coisas, vestindo uniformes, usando suásticas e ia todo mundo para o xadrez. Eles sabiam disto, então provocavam, cantando hinos nazistas a caminho da prisão". Quanto às crianças, K.B. recordou as humilhações que sofreu na escola: "Porque eu era alemã, meus colegas de classe caçoavam de mim, puxavam minhas tranças".

A triste realidade da Juventude Hitlerista não está tão distante da realidade atual do Brasil e do mundo. O conhecimento desse capítulo da história serve para refletirmos sobre os rumos que a sociedade assume nos tempos atuais e tomarmos providências enquanto há tempo.
Ana Maria Dietrich é historiadora e jornalista. Doutora em história social pela Unversidade de São Paulo, é autora do livro Caça às suásticas - O Partido Nazista em São Paulo (Imesp)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ministérios do Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Poder Executivo no Brasil é composto atualmente por 24 ministérios, oito secretarias da presidência com status de ministério e seis órgãos com status de ministério.[1] Cada ministério é responsável por uma área específica e é liderado por um ministro. Os ministros são escolhidos pelo Presidente da República a cada mandato, que atualmente no Brasil é de 4 anos.

Execução e diretrizes

Bandeira do Ministro de Estado do Brasil.
Dentre os Ministérios e respectivas Autarquias que compõem o Governo Federal, o mais antigo é o da Justiça, criado em 3 de julho de 1822, pelo Príncipe Regente D. Pedro, com nome de Secretaria de Estado de Negócios da Justiça. Os ministros auxiliam o Presidente da República no exercício do Poder Executivo. O de Relações Exteriores, por exemplo, assessora na formulação e execução da política externa brasileira.
Os Ministérios elaboram normas, acompanham e avaliam os programas federais, formulam e implementam as políticas para os setores que representam. São encarregados, ainda, de estabelecer estratégias, diretrizes e prioridades na aplicação dos recursos públicos.
O último Ministério criado trata-se da transformação da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (SEAP) em Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), pela lei 11.958/09 de 26 de junho de 2009.

Ministérios do Brasil

A tabela a seguir mostra a relação com os ministérios, os ocupantes da pasta, o partido político e os orçamentos anuais de 2007, 2008 e 2009. As indicações ao lado dos orçamento anuais mostram se houve acréscimo () ou decréscimo () em relação ao orçamento ano anterior.
Os valores dos orçamento anuais são referentes a dotação (orçamento aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República acrescido ou subtraído por eventuais créditos adicionais e/ou remanejamentos) e não valores empenhados (valor compromissado ou registrado no orçamento ainda não pago) ou mesmo pagos (desembolso realizado pelo Governo).[2]
Esses são os atuais ministros, do Governo Dilma Rousseff:[3]
Ministério Sigla Atual ministro(a) Partido Orçamento
em 2007
(bilhões
de reais)[4]
Orçamento
em 2008
(bilhões
de reais)[5]
Orçamento
em 2009
(bilhões
de reais)[2]
Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA Wagner Rossi PMDB 6,71 6,97 7,73
Cidades MCidades Mário Negromonte PP 9,10 7,00 9,85
Ciência e Tecnologia MCT Aloizio Mercadante PT 5,45 5,99 6,14
Comunicações MC Paulo Bernardo PT 4,90 4,95 6,28
Cultura MinC Ana de Hollanda 1,08 1,28 1,38
Defesa MD Nelson Jobim PMDB 41,71 43,12 52,11
Desenvolvimento Agrário MDA Afonso Florence PT 4,12 3,81 4,70
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC Fernando Pimentel PT 1,40 1,38 1,61
Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS Tereza Campello PT 24,86 28,60 32,70
Educação MEC Fernando Haddad PT 29,48 31,73 40,68
Esporte ME Orlando Silva Junior PCdoB 1,58 1,16 1,40
Fazenda MF Guido Mantega PT 15,12 14,33 19,37
Integração Nacional MI Fernando Bezerra Coelho PSB 10,84 12,88 14,68
Justiça MJ José Eduardo Cardozo PT 7,66 8,42 9,20
Meio Ambiente MMA Izabella Teixeira 2,80 3,00 3,52
Minas e Energia MME Edison Lobão PMDB 5,49 5,93 7,21
Pesca e Aquicultura MPA Ideli Salvatti PT


Planejamento, Orçamento e Gestão MPOG Mirian Belchior PT 4,68 8,58 11,04
Previdência Social MPS Garibaldi Alves Filho PMDB 192,93 209,68 239,94
Relações Exteriores MRE Antonio Patriota 1,97 1,74 1,89
Saúde MS Alexandre Padilha PT 52,99 52,59 59,66
Trabalho e Emprego MTE Carlos Lupi PDT 36,32 38,13 42,04
Transportes MT Alfredo Nascimento PR 14,37 13,27 14,50
Turismo MTur Pedro Novais PMDB 2,10 2,68 3,03
Orçamento total dos ministérios 477,66 507,52 594,00
Orçamento da Presidência da República 4,59 5,49 7,21
Secretarias com status de ministério (ligadas à Presidência da República)
Secretaria de Assuntos Estratégicos SAE Moreira Franco PMDB


Secretaria de Comunicação Social SeCom Helena Chagas


Secretaria Especial dos Direitos Humanos SEDH Maria do Rosário PT


Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial SEPPIR Luiza Helena de Bairros PT


Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres SEPM Iriny Lopes PT


Secretaria de Portos SEP Leônidas Cristino PSB


Secretaria-Geral da Presidência SG Gilberto Carvalho PT


Secretaria de Relações Institucionais SRI Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira PT


Secretaria de Aviação Civil SAC Wagner Bittencourt


Órgãos com status de ministério (ligados à Presidência da República)
Advocacia-Geral da União AGU Luís Inácio Lucena Adams


Banco Central BC Alexandre Tombini


Casa Civil da Presidência da República CC Gleisi Hoffmann
(indicada, a assumir)[6]



Controladoria-Geral da União CGU Jorge Hage Sobrinho


Defensoria Pública da União DPU José Rômulo Plácido Sales


Gabinete de Segurança Institucional GSI José Elito Carvalho Siqueira

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma síntese da idade média



Murilo Benevides de Oliveira
Faculdade Tecnologia e Ciências EaD


Com o declínio do Império Romano e a invasão dos povos germânicos no ocidente da Europa, a população europeia passou a dispersar-se dos centros urbanos e foram acolhidos pelos Senhores Feudais com a promessa de proteção pela troca do trabalho servo.

A mudança no modo de sobrevivência da população acarretou no enriquecimento dos grandes latifundiários, que junto com o clero determinaram o modo de vida da população, que passou a viver na extrema miséria.

Com o regresso no modo de vida, os homens chegaram a acreditar que o fim do mundo estava próximo e a única salvação seria apelar para a fé.
Abusando da persuasão e do momento sensível em que a população se comportava diante do “fim dos tempos”, a Igreja Católica aproveitou para impor seus dogmas. Muitos dos pecados foram quitados por alguns favores prestados a Igreja, no entanto, aquele que não se submetesse aos caprichos da igreja certamente iria ser condenado ao pecado eterno e provavelmente seria dizimado em nome do Senhor. 

Diante de uma época conturbada pela extrema pobreza, inquisições, doenças, guerras na luta do bem contra o mal. O período foi coberto por uma grande escuridão, segundo os pensadores humanistas, que queriam resgatar os ideais da antiguidade clássica e os reformistas protestantes, que eram contra as injustiças da Igreja Católica.

Apesar dos ideais depreciativos dos racionalistas, o período dos mil anos após a Paixão de Cristo tem sido reconstruído de forma produtiva, trazendo grandes laços étnicos, linguísticos e políticos com atualidade. Sendo assim, o preconceito criado no período que vai do racionalismo da antiguidade ao racionalismo do renascimento pode ser considerado um período produtivo e de grande importância para os dias atuais.
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